INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AUTORIA DOCENTE NA DOCUMENTAÇÃO PEDAGÓGICA: POSSIBILIDADES, LIMITES E CRITÉRIOS ÉTICOS PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL DA REDE MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Autores

  • Diego Agostinho Dynczuki

DOI:

https://doi.org/10.52078/hqpe9267

Palavras-chave:

Autoria docente, Documentação pedagógica, Proteção de dados, sme, IA

Resumo

A expansão das ferramentas de inteligência artificial generativa introduziu novas possibilidades para a organização, a revisão e a produção de textos no trabalho docente, alcançando também a escrita das documentações pedagógicas da Educação Infantil. Este artigo tem como objetivo analisar criticamente as condições de uso da inteligência artificial na elaboração de registros, relatórios, portfólios, cartas de intenção, diários de bordo e demais formas de documentação previstas pela Rede Municipal de Ensino de São Paulo. Metodologicamente, desenvolve-se uma pesquisa bibliográfica e documental, fundamentada no Currículo da Cidade: Educação Infantil, na Orientação Normativa de registros na Educação Infantil, na legislação de proteção de dados e em estudos sobre documentação pedagógica, autoria docente e ética da inteligência artificial. A análise sustenta que sistemas generativos podem auxiliar em tarefas instrumentais, como revisão linguística, reorganização de informações, identificação de repetições e elaboração de perguntas para aprofundar a reflexão. Entretanto, sua utilização se torna pedagogicamente inadequada quando substitui a observação direta, inventa acontecimentos, padroniza narrativas, elimina singularidades ou recebe dados pessoais identificáveis de bebês, crianças e famílias. Defende-se que a documentação pedagógica não é mero produto textual, mas processo interpretativo, ético e político, pelo qual a professora ou o professor seleciona indícios, constrói significados, torna visíveis as experiências infantis e reorienta o planejamento. Conclui-se que a inteligência artificial somente pode integrar esse trabalho como ferramenta subordinada à autoria humana, à revisão crítica, à proteção de dados, à transparência e à responsabilidade institucional.

 

 

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Publicado

30.06.2026