ARTETERAPIA E SAÚDE MENTAL: FUNDAMENTOS, EVIDÊNCIAS, LIMITES E DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO NO CUIDADO INTEGRAL

Autores

  • Marcelo Santos de Mascarenhas

DOI:

https://doi.org/10.52078/0nhmr817

Palavras-chave:

Arteterapia, Saúde mental, Práticas integrativas, Evidências clínicas, Sistema Único de Saúde.

Resumo

Este artigo analisa criticamente a arteterapia como recurso complementar no cuidado em saúde mental, articulando fundamentos teórico-clínicos, evidências empíricas, limites de efetividade e desafios de implementação no Sistema Único de Saúde. Trata-se de revisão narrativa crítica, de natureza bibliográfica e documental, construída com prioridade para revisões sistemáticas, metanálises, ensaios clínicos sintetizados e documentos oficiais publicados entre 2015 e 2024, sem excluir obras clássicas necessárias à delimitação conceitual do campo. Os achados indicam que a arteterapia pode favorecer expressão simbólica, participação no tratamento, elaboração de experiências e regulação emocional, especialmente quando integrada a um projeto terapêutico individualizado e conduzida por profissional qualificado. Contudo, a literatura não autoriza qualificá-la como intervenção universalmente eficaz. Uma metanálise de 2024 reuniu 50 estudos, 217 desfechos e 2.766 participantes, identificando melhora estatisticamente favorável em 18% dos desfechos, com efeitos globais pequenos a moderados e qualidade metodológica predominantemente baixa. Para ansiedade em adultos, uma revisão encontrou apenas três ensaios, totalizando 162 participantes, todos com alto risco de viés. No SUS, os registros de participantes, equipes, estabelecimentos e municípios que ofertaram arteterapia cresceram entre 2022 e 2023, embora os procedimentos registrados na Atenção Primária tenham diminuído, revelando expansão desigual e possíveis problemas de registro, continuidade e organização do serviço. Conclui-se que a arteterapia possui potencial clínico e institucional relevante, mas deve ser empregada como prática complementar, com avaliação, consentimento, monitoramento de resultados, articulação multiprofissional e cautela diante de ativação emocional, exposição indevida, interpretações deterministas e inadequação sensorial ou cultural.

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Publicado

30.06.2026