O BRINCAR LIVRE NA INFÂNCIA: FUNDAMENTOS SOCIOCULTURAIS, EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS E IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL
DOI:
https://doi.org/10.52078/gvaqha98Palavras-chave:
Brincar Livre, Educação Infantil, culturas infantis, Desenvolvimento Infantil, Políticas públicasResumo
Este artigo analisa o brincar livre como direito da criança, prática sociocultural e dimensão estruturante do currículo da Educação Infantil. O objetivo é superar abordagens panorâmicas que apenas enumeram benefícios do brincar, articulando fundamentos teóricos, documentos normativos e evidências empíricas produzidas em contextos escolares e espaços externos. Trata-se de pesquisa bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa e caráter narrativo-analítico. O levantamento foi realizado em junho de 2026 nas bases SciELO, PubMed, ERIC e Google Scholar, além de repositórios oficiais brasileiros e das Nações Unidas. Foram empregados descritores em português e inglês relacionados a brincar livre, aprendizagem baseada em brincadeiras, recreio, ambiente externo, desenvolvimento infantil e Educação Infantil. O corpus final reuniu 21 documentos, entre obras teóricas, pesquisas empíricas, revisões sistemáticas e normas públicas. A análise evidencia que o brincar não constitui comportamento natural isolado, mas atividade cultural aprendida e produzida nas interações. Estudos observacionais e revisões indicam associações entre oportunidades de brincar, atividade física, desenvolvimento motor, autorregulação, linguagem, relações entre pares e comportamento em sala; entretanto, os efeitos variam conforme qualidade do ambiente, tempo disponível, participação infantil e formas de mediação adulta. A literatura também demonstra que a oposição rígida entre brincar livre e intervenção docente é insuficiente: a ação pedagógica pode organizar tempos, materiais e espaços sem capturar a brincadeira por objetivos escolares imediatos. Conclui-se que garantir o brincar exige políticas de infraestrutura, formação docente, redução da escolarização precoce e reconhecimento da criança como sujeito que produz culturas, negocia sentidos e participa da construção do cotidiano educativo.
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