BRINQUEDOS, CORPOS E EXPECTATIVAS: A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO GÊNERO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Resumo
Este artigo crítico-reflexivo analisa como práticas cotidianas na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental participam da construção social do gênero, produzindo desigualdades frequentemente naturalizadas como diferenças biológicas. A partir de uma abordagem teórica e bibliográfica, o texto articula contribuições dos estudos de gênero, do campo do currículo e de pesquisas em desenvolvimento infantil, fisiologia do exercício e neurociência, problematizando a ideia de que distinções corporais, comportamentais ou cognitivas entre meninas e meninos justificariam práticas pedagógicas diferenciadas. Discute-se o papel do currículo oculto, da organização dos espaços escolares, da cultura material dos brinquedos e das expectativas docentes na regulação de corpos, interesses e oportunidades. Argumenta-se que experiências desiguais de movimento, cuidado e exploração contribuem para a produção de diferenças posteriormente interpretadas como inatas. Com base em autoras e autores como Guacira Lopes Louro, Judith Butler, Daniela Finco, David L. Gallahue e Lise Eliot, sustenta-se que o desenvolvimento infantil é plástico e fortemente dependente das condições oferecidas pelo ambiente. Conclui-se que a escola não apenas reproduz estereótipos de gênero, mas atua ativamente em sua produção, configurando-se como espaço estratégico de intervenção pedagógica voltada à ampliação das experiências corporais, lúdicas e simbólicas de todas as crianças.
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